quarta-feira, 18 de março de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mensagem de luto: missa de 7º dia da mãe do Serginho

Texto que escrevi para ler durante a missa de 7º dia do falecimento da D. Heloísa, mãe do Serginho:

Muitos de nós não pudemos estar presentes no momento de dor, impossibilitados de oferecer a mão amiga para tornar a perda de Sérgio e Yolanda menos pungente. No entanto, amigos são aqueles que se fazem presentes mesmo na ausência. Por isso, nesta cerimônia, em nosso nome, pretendo dizer algumas palavras de saudade e de consolo.
Conheci a D. Dudu, como costumávamos chamá-la, por intermédio do seu filho. E, nesse anos todos que se seguiram a nossa amizade, o que mais me prendeu à memória foram sua serenidade e sua alegria contagiante. Alegria de alguém cúmplice dos nossos churrascos, das nossas brincadeiras, das nossas viagens.
Como esquecer os estrogonofes com cinzas de cigarro, os bifes acebolados pacientemente passados em madrugadas carnavalescas para um extenso grupo de foliões exaustos ou o dia em que eu – invocando S. José, S. João e S. Judas – andei num carro com a D. Dudu ao volante? Comumente éramos chamados por ela de “meu filho”. E, como um deles, era que ela nos tratava.
Mas, um dia, nossos entes queridos se vão. Quando menos esperamos e sem nenhum aviso, Deus tira de nós o que mais amamos. Nessas horas, as palavras de conforto parecem apenas agravar ainda mais a dor. Cada “meus pêsames” ouvido parece equivaler a um punhal que cala fundo.
Às vezes, em nossos pensamentos, podemos nos punir e nos culpar por nunca termos dito “te amo”; “preciso de você”, “estou sempre aqui”, “me preocupo com você”, ou, então, podemos pensar: “a culpa foi minha”.
Qual a resposta para essa dor?
O tempo e uma certeza: quando amamos, transmitimos esse amor em pequenos atos e gestos. As palavras não importam mais. Quando precisamos de alguém, sentimos sua presença, e as palavras não têm mais sentido; quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós.
E a culpa?
A culpa é da vida, que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém. Porém, o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo. Com o seu passar, o pesar dá lugar à lembrança dos bons momentos. E, com um pouco mais de tempo, transformamos nossos entes queridos em eternos companheiros.
Nossos sonhos ganham novos visitantes e nossa vida conquista anjos. No fim, fica uma saudade e uma outra certeza: não importa onde estejam, eles estarão sempre conosco.
Gostaria de encerrar com as belas e sábias palavras do “Poema de Natal” do poeta Vinícius de Moraes:

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vai, ano velho

"Vai, ano velho, vai de vez
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um,
a meia noite, esgota o copo
e a culpa do que nem lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.

Vai, leva tudo: destroços,
ossos, fotos de presidentes,
beijos de atrizes, enchentes,
secas, suspiros, jornais.
Vade retrum, pra trás,
leva pra escuridão
quem me assaltou o carro,
a casa e o coração.
Não quero te ver mais,
só daqui a anos, nos anais,
nas fotos do nunca-mais.

Vem, Ano Novo, vem veloz,
vem em quadrigas, aladas, antigas
ou jatos de luz moderna, vem,
paira, desce, habita em nós,
vem como cavalhadas, folias, reisados,
fitas multicolores, rebecas,
vem com uva e mel e desperta
em nosso corpo a alegria,
escancara a alma, a poesia,
e, por um instante, estanca
o verso real, perverso
e sacia em nós a fome
- de Utopia.

Vem na areia da ampulheta com a
semente que contivesse outra se-
mente que contivesse ou-
tra semente ou pérola
na casca da ostra
como se
se
outra se-
mente pudesse
nascer do corpo e mente
ou do umbigo da gente como o ovo
o Sol a gema do Ano Novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.

Adeus, tristeza: a vida
é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.
Agora
é recomeçar.
A utopia é urgente.
Entre flores e urânio
é permitido sonhar."

Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Gastrossexual

Homem "pilota fogão" para seduzir mulheres Fazer pratos mais elaborados para impressionar garotas agora é coisa de "macho"

Homens que cozinham são chamados de gastrossexuais por instituto britânico; 48% afirmam que habilidade os torna mais atraentes

Patrícia Stavis/Folha Imagem

O advogado Cacaio Bentivegna, para quem saber cozinhar ajudou a conquistar a atual namorada

ALEXANDRE NOBESCHI
DA REDAÇÃO

Aquele cara que oferece um jantar em casa no lugar de ir a um restaurante faz parte de um novo grupo de galanteadores. Eles se valem da afinidade que têm com fogão e panelas - além de um sem-número de parafernálias que adoram exibir - para arrebatar corações incautos.
Os chamados gastrossexuais formam o que uma pesquisa britânica apontou como "homens bem resolvidos que têm como hobby fazer pratos elaborados". De quebra, tentam fisgar o alvo pelo estômago, como a tática empregada pelo personagem interpretado pelo ator Matthew McConaughey no longa "Como Perder um Homem em Dez Dias".
Na história, o publicitário "pegador" prepara um cordeiro para mostrar seus encantos à garota com quem está saindo e, assim, levá-la para a cama. A estratégia só não tem o efeito desejado por um capricho dela.
"Já usei a cozinha para sair com alguém sim. Enquanto cozinho, vou conversando, tomando alguma coisa. A gente usa todas as armas que tem", diz o editor de arte Flávio Soares, 35. "Quando um homem diz que sabe cozinhar, a expressão no rosto delas muda."
A pesquisa do instituto britânico Future Foundation, feita com mil homens no Reino Unido, mostra que 48% dos entrevistados dizem que ser capaz de cozinhar os torna mais atraentes para as mulheres.
A explicação para isso, segundo Carmita Abdo, coordenadora Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, não está ligada somente ao aspecto gastronômico.
"O homem que cozinha passa uma imagem de ser menos machista, menos ligado aos valores tradicionais, menos preconceituoso, mais carinhoso e mais atento às novas tendências", afirma Abdo. "A sedução ocorre por ele ser uma pessoa agradável, porque serve, dá um presente, oferece algo que ele próprio elaborou, que deu um pouco de si para fazê-lo."
Numa escala de homens ideais, os gastrossexuais estariam muito bem cotados, afirma o terapeuta sexual Haruo Okawara. "As mulheres hoje não têm muito tempo para cozinhar ou não gostam de cozinhar. Quando eles sabem cozinhar, isso desperta um fascínio nas mulheres", diz.
O advogado Cacaio Bentivegna, 37, conta que sua atual namorada foi conquistada com a ajuda de um café da manhã especial que preparou para ela um dia após se conhecerem. "Passamos o dia juntos e, no dia seguinte, começamos oficialmente a namorar."

Divisão de tarefas
A chegada dos homens à cozinha começou timidamente, em 1961. À época, de acordo com a pesquisa, o tempo que eles gastavam em tarefas no "território feminino" era de meros cinco minutos por dia. Em 2005, os homens já dispensavam 27 minutos por dia entre fogão e panelas.
O fato de o homem ter se tornado um habituê da cozinha tem a ver, entre outros fatores, com a chegada da mulher ao mercado de trabalho e a divisão de tarefas de casa, diz Abdo.
"O homem começou a cozinhar porque precisava dividir as obrigações de cuidar da casa com a mulher e acabou tomando gosto pela cozinha. O homem sente prazer em preparar a comida, mas ainda tem resistência em lavar o que sujou."
Na lista dos porquês que levam os homens a envergarem um avental, mais hoje que no passado, aparece também -além da chance de impressionar uma pretendente- a necessidade, por serem solteiros, e o tal do "nesting" (aninhar-se, em tradução livre). Esse último resulta na reunião de um grupo de amigos que degustam pratos elaborados em casa.
Para alguns homens, o convescote é um grande evento de exibição, tanto de suas habilidades quanto de seus apetrechos. "Acredito que é da natureza masculina gostar de se mostrar. Cozinhar é uma forma de "exibicionismo" bem recebida pelos demais", diz Alessandro Nicola, professor do curso de gastronomia do Senac.

Jantar romântico começa na feira livre

Para o chef mexicano Hugo Delgado, escolha dos ingredientes nos mercados "ajuda a despertar os sentidos" dos casais

Cozinha é o "cômodo G" das casas e um dos "caminhos da sedução", diz mexicano que ensina a fugir do trivial, como ostras e chocolates

DA REDAÇÃO

"Cozinhar é um dos muitos caminhos da sedução", diz o mexicano Hugo Delgado, chef do restaurante Obá, de SP.
Convidado pela Folha a elaborar o roteiro de um "jantar [ou almoço] sedutor", Delgado diz que, "no lugar do típico sair para comer", a proposta é começar o dia com uma visita a uma feira livre, para só depois cozinharem juntos em casa.
"O carinho começa na escolha dos ingredientes", afirma ele. "Cozinhar é uma atividade sensorial, e as feiras livres, com suas cores, seus sabores e texturas, despertam os sentidos."
Para ele, a oportunidade de ir à feira é uma chance de fazer algo transgressor para algumas pessoas: "Dividir um pastel hoje é um convite para esquecer a dieta da semana e abrir a possibilidade do pecado".

Cardápio
Em casa, o ideal é compartilhar -uma música, uma bebida- e preparar algo simples. Aos 20 anos, afirma o chef, "é tesudo impressionar [com um prato elaborado]; aos 40 anos, é muito sexy dividir".
Delgado diz que uma comida que seja afrodisíaca é bem recebida, mas não é obrigatória. A receita do chef é até simples, para aqueles que têm um mínimo de intimidade com a cozinha. Macarrão com aspargos frescos e, de sobremesa, morangos com aceto balsâmico. "Há coisas que são óbvias demais, como ostras e chocolate. Fugir delas ajuda."
A mesa também dispensa arranjos rebuscados. "Em vez de chegar com as flores, quase implorando por um agradecimento, coloque-as em um vasinho sobre a mesa. Agora, elas aparecem sigilosamente. O momento as merece."
Gastrossexuais ou não, Delgado diz acreditar que cada vez mais os homens têm descoberto que a cozinha pode ser o "cômodo G da anatomia de nossas casas e apartamentos".

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Solange: a Gaga de Ilhéus

Descobri esse vídeo hoje e, a cada hora em que o assisto, caio na gargalhada!